Quem Aposta Online em Portugal: Perfil Demográfico dos Jogadores em 2025–2026

Quando comecei a trabalhar com análise de mercado em apostas desportivas, uma das primeiras coisas que aprendi é que “o apostador médio” não existe. Existe uma distribuição — com perfis muito diferentes em termos de frequência de apostas, volume financeiro, tipos de mercados preferidos e motivações. Os dados do SRIJ permitem agora traçar esse perfil com uma granularidade que não era possível há dez anos. E o retrato que emerge é revelador.
No final de setembro de 2025, existiam 4.937,7 mil registos de jogadores em operadores online em Portugal — um aumento de 7,8% face ao período homólogo. Quase cinco milhões de contas. Mas contas registadas e apostadores ativos são coisas diferentes: no quarto trimestre de 2024, cerca de 1,23 milhões de utilizadores efetuaram pelo menos uma aposta — uma taxa de atividade de aproximadamente 25% sobre o total de registos.
Quase 5 Milhões de Registos: Evolução e Tendências
O crescimento de contas registadas de 7,8% no ano até setembro de 2025 representa um abrandamento face às taxas de crescimento excepcionais de 2021-2023, que foram impulsionadas pela digitalização acelerada durante o período pós-pandemia. Este abrandamento é natural: o mercado está a amadurecer, e as taxas de crescimento de utilizadores convergem gradualmente para o ritmo de crescimento da população adulta com acesso digital.
A diferença entre contas registadas e apostadores ativos é uma métrica que os operadores acompanham com muita atenção. No segundo trimestre de 2025, o número de jogadores com prática de jogo foi de 1.120,0 mil — uma diminuição de 2,6% face ao período homólogo de 2024. Esta ligeira queda na atividade, num período com menos eventos desportivos de destaque, é consistente com a sazonalidade do mercado.
Uma perspectiva que muitas análises ignoram: a rotatividade de apostadores. Cada ano, um número de apostadores abandona o mercado (por autoexclusão, perda de interesse, ou outras razões), e um número de novos apostadores entra. O crescimento líquido de registos esconde esta dinâmica. Para os operadores, a retenção de apostadores ativos é tão importante quanto a aquisição de novos registos.
Idade, Género e Geografia do Apostador Português
Quase 80% dos jogadores online em Portugal têm menos de 45 anos, com maior peso nas faixas etárias dos 18 aos 34 anos. Este é um dado estrutural que explica muitas das decisões de produto e marketing dos operadores: a interface mobile-first, a integração com redes sociais, o foco em desportos com audiências jovens como o basquetebol e os eSports — tudo isto faz sentido quando se conhece o perfil etário da base de utilizadores.
A distribuição geográfica também é reveladora: Lisboa e Porto representam juntos mais de 40% dos registos de jogadores online em Portugal. Não é surpreendente — estas são as duas maiores áreas metropolitanas, com maior densidade populacional, maior penetração de internet de alta velocidade e maior proporção de população jovem e urbana. Mas implica que mais de 60% dos apostadores estão distribuídos pelo resto do país — um dado que os operadores consideram quando adaptam a oferta a competições regionais e equipas locais.
Em termos de nacionalidade, 94,7% dos jogadores registados em plataformas legais portuguesas são de nacionalidade portuguesa. Os brasileiros são o grupo estrangeiro mais representado — o que faz sentido dado o volume de residentes brasileiros em Portugal, a língua partilhada, e o interesse no futebol como elo cultural comum.
O género não é uma variável publicada com regularidade pelo SRIJ nos relatórios públicos, mas estudos de mercado europeus consistentemente apontam para uma dominância masculina nas apostas desportivas — na ordem dos 75-80% de utilizadores masculinos. O mercado português não tem razão para divergir significativamente desta tendência europeia.
A Faixa Jovem e os Riscos Específicos
A concentração de apostadores na faixa dos 18-34 anos tem implicações que vão além da estratégia de marketing. É também o grupo com maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de comportamentos problemáticos de jogo — não por características intrínsecas dos jovens adultos, mas porque estão na fase de vida onde hábitos de consumo se estabelecem e onde a experiência de gerir perdas financeiras é mais limitada.
Os dados do ICAD de 2024 mostram que 18% dos jovens entre os 13 e os 18 anos jogaram a dinheiro no último ano — um número que inclui formas diversas de jogo, não apenas apostas desportivas online. O dado é preocupante porque a acessibilidade das plataformas online, combinada com a familiaridade desta geração com interfaces digitais, reduz as barreiras de acesso ao jogo de dinheiro.
Na Europa, a faixa etária dos 25-40 anos detinha 46,98% da quota do mercado de jogo online em 2025, com o segmento abaixo dos 25 anos a crescer a um CAGR de 8,06% até 2031. Portugal está alinhado com esta tendência, o que coloca pressão regulatória crescente sobre os operadores para reforçar as verificações de idade e as ferramentas de proteção de jogadores jovens.
Os operadores com licença SRIJ são obrigados a implementar verificações de idade rigorosas durante o KYC e a ter sistemas de detecção de comportamentos problemáticos. Mas a eficácia destas medidas depende também da literacia financeira e do conhecimento sobre jogo responsável por parte dos próprios apostadores.
A distribuição geográfica dos apostadores tem também implicações para os tipos de competições mais apostadas. Lisboa e Porto — que juntas representam mais de 40% dos registos — são as cidades com maior concentração de adeptos dos “três grandes” do futebol português. Esta geografia explica, em parte, porque a Primeira Liga e os jogos europeus de Benfica, Porto e Sporting geram volumes de apostas excepcionalmente elevados no mercado nacional.
Um dado que complementa o perfil demográfico: 56% dos portugueses já jogaram a dinheiro pelo menos uma vez, segundo o Inquérito Nacional de 2022 do ICAD. Este número inclui todas as formas de jogo — apostas desportivas, lotarias, casino, raspadinhas. O que sugere que a base potencial de apostadores online é significativamente maior do que o número de contas ativas atualmente registadas. O crescimento futuro do mercado terá de vir, em parte, da conversão desta base latente em utilizadores das plataformas licenciadas.
Para contextualizar o perfil do apostador português no quadro europeu: a faixa etária dos 25 aos 40 anos detinha 46,98% da quota do mercado de jogo online europeu em 2025, com o segmento abaixo dos 25 anos a crescer a um CAGR de 8,06% até 2031. Portugal está alinhado com esta tendência europeia — com uma base jovem que vai continuar a crescer nos próximos anos e que vai definir as características do mercado na próxima década.
Para uma análise mais aprofundada sobre o crescimento do mercado e as tendências de receita e volume — o contexto macroeconómico em que este perfil demográfico se insere — existe uma análise detalhada do crescimento do mercado português de apostas que complementa esta perspectiva sobre os apostadores.
Qual a faixa etária mais representada nos apostadores online em Portugal?
De acordo com dados do SRIJ, quase 80% dos jogadores online em Portugal têm menos de 45 anos, com maior concentração nas faixas etárias dos 18 aos 34 anos. Esta distribuição etária jovem é consistente com a tendência europeia, onde a faixa dos 25-40 anos representa cerca de 47% da quota de mercado de jogo online.
Qual é a percentagem de apostadores portugueses face ao total de registos?
De acordo com os dados do SRIJ, 94,7% dos jogadores registados em plataformas legais portuguesas são de nacionalidade portuguesa. Os brasileiros são o grupo estrangeiro mais representado, reflexo da comunidade brasileira residente em Portugal e da língua e interesse desportivo partilhados.
Criado pela redação de «Casas de Apostas Desportivas em Portugal».
